Raio X de Portugal



As exibições de Portugal não têm sido fantásticas, sendo difícil adivinhar qual é o fio de jogo pretendido por Fernando Santos.

Tem sido notório algumas diferenças na abordagem ao jogo na fase de grupos e a partir das eliminatórias. Nos três primeiros jogos, houve tentativas de tentar criar situações de golo, através do lançamento de bolas longas para Cristiano Ronaldo ou de jogadas individuais protagonizadas pelos médios. No entanto, a estratégia redundou em três empates contra a Islândia, Áustria e Hungria, sendo que, só no segundo jogo a vitória seria merecida.

Apenas no terceiro jogo, a selecção aproveitou a presença de Cristiano Ronaldo na área porque no primeiro e segundo desafio, o craque português andou perdido entre os centrais e Fernando Santos não encontrou alternativa para marcar golos. Os médios utilizados não tiveram arte para inventar soluções. Apesar de dois golos marcados, as potencialidades de Nani também não foram aproveitadas e Ricardo Quaresma parecia ter pouco talento. A verdade é que os médios não mostraram qualidade, sendo que, as constantes alterações prejudicaram a equipa. No último jogo, a titularidade de João Mário e a entrada de Renato Sanches na segunda parte trouxeram dinamismo, velocidade e ligação entre o meio-campo e o ataque.

O que estava idealizado por Fernando Santos falhou por falta de treino, talento ou simplesmente porque os adversários foram melhores.

A verdade é que Santos mudou a filosofia de jogo a partir dos oitavos-de-final. As vitórias contra a Croácia e Polónia mostram que o objectivo será o resultado e não a exibição. Os dois triunfos foram garantidos no prolongamento e grandes penalidades após dois maus jogos nos 90 minutos, embora contra a Polónia tenha havido melhorias.

O único aspecto que melhorou no jogo português teve a ver com a entrada de Renato Sanches. As mudanças de 4x4x2 para 4x3x3 em pleno jogo não facilitam a conquista da bola. Renato e João Mário têm sido deslocados para os extremos onde não conseguem pegar no jogo. O problema é que não tem sido essa a vontade do técnico português. 

Perante o cenário ninguém sabe qual vai ser a abordagem de Portugal contra o País de Gales. Talvez venhamos a assistir às mudanças tácticas durante o desafio. Não há problema porque todos sabem o que têm de fazer dentro de campo.

Uma nota para o bom desempenho da equipa no momento defensivo. Os centrais estão impecáveis e os laterais sub-aproveitados porque não atacam, daí que Santos opte por Cédric e Eliseu em detrimento de dois jogadores com natureza atacante como são Vieirinha e Raphael Guerreiro. 

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