quarta-feira, 20 de junho de 2018

World Cup 2018. Ronaldo voltou a tapar as fragilidades de construção da selecção

Grupo B
2ª jornada

Portugal 1 Marrocos 0

Golo: Cristiano Ronaldo

A inspiração do melhor jogador do mundo foi suficiente para a selecção portuguesa conquistar a primeira vitória na competição, e dar um passo grande rumo à qualificação. A exibição voltou a ser cinzenta, embora houvesse mais posse de bola do que no desafio frente à Espanha. 

O golo de Cristiano Ronaldo permitiu à equipa jogar como gosta, obrigando o adversário a correr riscos. Contudo, os marroquinos adoptaram o mesmo estilo ofensivo que no primeiro jogo, mas perderam-se nos últimos metros, sobretudo na grande área. No futebol o que conta são as bolas que entram na baliza. 

A selecção ainda teve uma situação perigosa aos oito minutos por Ronaldo, depois de um arranque de Raphael Guerreiro desde o meio-campo até à grande área. 

Os africanos quiseram imitar o adversário com um bom lance de Benatia na sequência de um canto aos 11 minutos. 

A entrada de João Mário no onze permitiu à equipa ter mais agressividade defensiva e posse de bola. William Carvalho e Moutinho cumpriram o papel de proteger a zona central, pelo que, Marrocos teve de explorar os flancos para construir as jogadas de perigo. Neste aspecto, Amrabat voltou a ser o melhor elemento, tendo ultrapassado quase sempre Raphael Guerreiro. O lateral português necessitou de 25 minutos para ganhar o primeiro duelo individual, sendo que, nos restantes precisou de contar com a ajuda de Gonçalo Guedes e nalgumas alturas de João Mário para travar o número 16. No flanco oposto, Zyiech também causava algum transtorno, sobretudo no plano técnico, mas os cruzamentos raramente tinham sucesso sempre que a bola sobrevoava a grande área. A inclusão de Boutaib só resultou no primeiro lance da partida. 

A história do jogo poderia ter ficado decidida aos 38 minutos, mas Gonçalo Guedes falhou novamente na cara do guarda-redes, após nova assistência do capitão. Em dois jogos, o estreante nestas andanças já desperdiçou três grandes oportunidades que deveriam ter dado outro aspecto aos resultados. A presença de Guedes no onze só se justificou pela competência defensiva. 

A selecção portuguesa não aproveitou a quebra de intensidade de Marrocos para pegar na bola. Pelo contrário, permitiu que o adversário adoptasse uma estratégia directa através de lances de bola parada. Os jogadores portugueses, nomeadamente os do meio-campo fizeram bastantes faltas em zonas perigosas, originando situações perigosas na grande área, nomeadamente aos 56 minutos por Belhanda. 

As razões da falta de capacidade para construir jogo só serão perceptíveis nos próximos desafios, nomeadamente se o Irão necessitar apenas de um empate para chegar aos oitavos-de-final.

As alterações de Fernando Santos, particularmente a entrada de Gelson Martins para o lugar de Bernardo Silva, não surtiram o efeito desejado. Apesar do sinal positivo enviado pelo técnico português, as condições da partida favoreceram pouco as combinações curtas e rápidas pelos jogadores mais tecnicistas. Portugal sentiu-se mais confortável a defender em bloco até ao final da partida. A linha mais recuada esteve melhor em termos colectivos do que individualmente.

A missão portuguesa está cumprida, ficando à espera do resultado entre o Irão e a Espanha para saber se precisa de uma vitória ou empate para seguir em frente. Os africanos perderam todas as esperanças.

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