World Cup 2018. Trio atacante da Bélgica deu uma lição de futebol ao mundo

Quartos-de-final

Brasil 1 Bélgica 2

Golos: Renato Augusto - Fernandinho a.g, Kevin De Bruyne


A Bélgica mereceu o apuramento pelo futebol praticado durante o encontro, mas os brasileiros lutaram até ao fim como se exigia a um antigo campeão do mundo. 

Os belgas dominaram praticamente durante todo o encontro, menos nos 25 minutos iniciais da segunda parte. No entanto, o poder ofensivo dos brasileiros nunca foi suficiente para ultrapassar a qualidade do adversário porque no plano individual já não existem diferenças, nomeadamente na baliza onde Thibaut Courtois voltou a exibir-se num grande nível. 

O primeiro aviso do jogo foi de De Bruyne logo no primeiro minuto, mas Thiago Silva respondeu aos 7 com uma bola no poste. No início, os jogadores mais criativos entravam facilmente na área do adversário através de acções de Paulinho e Gabriel Jesus. O médio caiu de rendimento ao longo da partida. 

O golo da Bélgica aos 12 minutos num erro clamoroso de Fernandinho mudou a história do desafio, já que, a bola passou para os pés dos novos craques como Eden Hazard e Kevin De Bruyne, que ganharam vantagem na corrida para o título de melhor jogador do mundo. 

A aposta de Roberto Martinez em colocar dois médios com características praticamente iguais na zona nevrálgica do terreno foi sendo ganha ao longo dos 90 minutos. O ímpeto do Brasil poderia estar a dar resultados, mas aos poucos, a bola começou a sossegar nos pés de Witsel e Fellaini. Na parte final, os dois jogadores eram a primeira barreira defensiva, o que não aconteceu com Paulinho e Fernandinho. 

Os três jogadores mais criativos dos belgas tinham liberdade para atacar e foram dispensados da difícil tarefa de defender, mesmo na altura de maior domínio brasileiro, à excepção de alguns recuos por parte de De Bruyne. O trio atacante escolheu os flancos para desequilibrar. Lukaku na direita, Kevin De Bruyne no centro e Hazard na esquerda conseguiam sempre ultrapassar os fracos laterais do adversário, sobretudo Fagner. 

A estratégia resultou aos 30 minutos com a obtenção de um golo que obedeceu às regras internacionais do contra-ataque. Na sequência de um canto, Lukaku recolhe a bola no próprio meio-campo, avança vários metros sem oposição e no último terço só tem assistir Kevin De Bruyne que efectua um remate à entrada da área sem hipóteses para Allisson. 

Na segunda parte o Brasil teve de arriscar. Tite colocou Firmino no lugar de Willian e ordenou mais ataques pelo lado esquerdo para aproveitar as subidas de Marcelo. Contudo, o seleccionador brasileiro errou na segunda substituição porque Gabriel Jesus estava a ser a melhor unidade com vários lances de perigo na área, apesar de Douglas Costa se ter exibido a bom nível como sucedeu no jogo contra a Suíça na fase de grupos.

A Bélgica também revelou capacidade defensiva, mesmo não colocando o autocarro em campo. No total apenas sete jogadores fechavam os caminhos aos talentos do Brasil que subiam de rendimento, já que, Hazard, De Bruyne e Lukaku estavam preparados para as situações de contra-ataque, como aconteceu aos 61 minutos pelo número 10 e mais tarde pelo avançado. 

O sufoco brasileiro demorou apenas 25 minutos por causa de mais um erro na estratégia ofensiva. Os desequilíbrios não estavam a ser bem feitos porque apenas Marcelo subia no terreno. Fagner ficou quase sempre na marcação a Hazard, impedindo que Douglas Costa tivesse apoio nas costas pelo lado direito. Por seu lado, a Bélgica utilizou quase sempre Chadli e Meunier na fase de maior domínio. 

A entrada de Renato Augusto acabou por ser a única medida positiva do técnico brasileiro. O médio marcou aos 75 minutos o golo que deu a esperança aos adeptos depois de um excelente passe de Coutinho, sendo que, cinco minutos mais tarde, poderia ter feito o empate. 

O seleccionador Roberto Martinez evitou efectuar qualquer substituição até aos últimos dez minutos para quebrar o ritmo num período de maior ascendente brasileiro. Contudo, não houve grandes situações para o jogo ser decidido no prolongamento, tirando um remate de Neymar que mereceu uma excelente defesa de Courtois nos descontos.

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